O frio de Toronto não perdoava. Ana Clara caminhava pela beira da rodovia, os pés afundando na neve que já ultrapassava a altura dos seus tornozelos. O letreiro de neon do motel barato ficava para trás, uma mancha rosa e obscena na escuridão. Seus pulmões ardiam a cada respiração, e a humilhação causada por Sterling pesava mais que o casaco encharcado.
— Matheo... — ela sussurrou ao telefone, a voz falhando. — Eu estou no meio do nada. Ele me deixou aqui.
— Ana, escuta a minha voz — a res