No "covil das bruxas" — como Leo costumava chamar a sala de chá privativa de Margareth na mansĂŁo — o ar parecia ter esfriado dez graus. Soraya andava de um lado para o outro, os saltos batendo no chĂŁo com uma fĂşria rĂtmica. Ela já sabia de tudo. Margareth fizera questĂŁo de descrever, com detalhes sĂłrdidos, a cena que presenciara na cobertura de Giorgio naquela manhĂŁ.
— Roupas espalhadas pela sala, Soraya. Um rastro de vulgaridade que ia da porta até o quarto — Margareth dizia, enquanto servia o chá com uma calma aterrorizante. — E então, ela aparece. Cabelos úmidos, vestindo a camisa dele... como se já tivesse tomado posse não só da cama, mas de tudo o que ele construiu.
— Aquela piranha oportunista! — Soraya gritou, derrubando uma moldura de prata de uma mesa lateral. — Como ele pôde fazer isso comigo? Como ele pôde ser tão baixo?
— Controle-se! — Margareth levantou a voz, e o tom foi o suficiente para fazer Soraya estacar. — Gritar não vai expulsá-la daquela cobertura. Nós subestima