O trajeto até a sede do Grupo Cezario foi feito sob um transe nostálgico. Giorgio dirigia, mas suas mãos no volante ainda pareciam sentir o calor da pele de Ísis. O perfume de tinta e liberdade que emanava dela havia grudado em seus sentidos, tornando o ar condicionado do carro de luxo subitamente sufocante.
Ele se viu transportado para os dezoito anos. Lembrou-se da primeira vez que fugiram para o riacho nos limites de Valverde, do som da risada dela ecoando entre as pedras e da urgência juvenil de seus corpos se descobrindo. Fora com Ísis que ele aprendera que o toque de alguém poderia ser mais vital que o oxigênio. O fogo que sentira há pouco, no encontro acidental, não era apenas saudade; era a constatação de que nenhuma mulher, em uma década, havia chegado perto de despertar o homem que ele era quando estava com ela.
Ao entrar no átrio de vidro e aço da empresa, Giorgio sentiu o contraste. Tudo ali era reto, frio e previsĂvel. Exatamente o que ele nĂŁo queria mais ser.
— Cancele m