Capítulo 9

Aurora

Hoje é o dia do segundo encontro. Será uma festa na casa de um colega de classe, que está sozinho em casa, os pais viajam constantemente.

— Juízo, Aurora. — Minha madrinha está finalizando minha maquiagem. Tive que ceder quando ela quis me ajudar a me arrumar. Se isso a deixa feliz, posso suportar, mesmo detestando me maquiar.

— Sempre tenho, madrinha.

Olho no espelho e gosto do resultado. Ela não exagerou dessa vez, felizmente. A maquiagem é leve e o vestido de bolinha tem um charme fofo. A festa é em estilo retrô.

Nesse momento meu celular vibra na mesa da penteadeira.

— Acho que seu namorado chegou. — Ela diz com um sorriso malicioso. — Lembre-se de se comportar, minha menina.

Apenas reviro os olhos em resposta, e pego o celular. Realmente é uma ligação de Felipe.

Me despeço da minha tia e saio ao encontro dele.

Felipe está esperando encostado no carro, com aquele sorriso ladino de badboy perigoso. Instantaneamente sorrio de volta. Corro até ele e paro na sua frente. É tudo tão novo que não sei como agir. Fico sem saber se tomo a iniciativa de um abraço ou de um beijo.

— Oi! — digo sem jeito.

— Oi, namorada. — Ele abre os braços, me chamando para pousar ali. E é obvio que obedeço. Passo os braços pela sua cintura e ele fecha o abraço em torno do meu corpo, me deixando presa e ciente do seu cheiro maravilhoso e másculo, dos seus músculos de garoto esportista.

Aos poucos vamos nos afastando, acabando frente a frente, olhos nos olhos. Mas, diferente de antes, não existe dúvidas em nossos olhos, apenas o fogo despertado pela proximidade.

Eu quero muito que ele me beije agora.

— Vamos. — Felipe faz um gesto indicando a porta aberta.

Fico decepcionada sem meu beijinho. Mas quem mandou ser sonsa e não tomar a iniciativa. Afinal, se seremos namorados, eu também posso beijá-lo.

Entro e me sento no banco de trás, ele senta ao meu lado. Na frente segue dois homens de preto.

Chegamos em uma mansão onde nosso colega mora.

Deus, quanta diferença entre eu e os alunos daquele colégio. Um mora em um castelo, outro em uma mansão imponente. Imagino o que eles diriam se eu os levasse para minha casa de quatro cômodos, e um deles é o banheiro.

Felipe me guia, sem nenhum momento soltar da minha mão enquanto andamos. Vamos até um elevador (isso mesmo, tem elevador na casa). Subimos e chegamos em um espaço bem amplo que tem várias áreas de jogos. Seguimos até uma porta imensa e aberta, de onde saia som de música eletrônica.

É um salão de festa. O lugar está meio lotado de jovens desfilando estilo. Luzes coloridas piscando por toda parte e música alta.

Entrei me sentindo deslocada. É minha primeira vez em uma festa desse tipo. E já vi que esse tipo de ambiente não é minha vibe.

Conseguimos um sofá no canto. Ninguém parece interessado em ficar parado. Assim que sentamos, Felipe fala:

— Vou buscar um refrigerante. Quer comer alguma coisa?

— Se tiver algum doce ou salgadinho, eu quero.

— Ok. Já volto.

Ele se levanta e sai entre os colegas. Demora um pouco. Quando volta traz copos de plástico com salgados e doces variados e um de refrigerante de laranja.

— E você? Não vai beber ou comer nada? — questiono quando ele me entrega tudo.

— Vou buscar o meu.

E novamente ele sai. Felipe sai uma quatro vezes. Seja para buscar alguma coisa ou para falar com colegas. Eu já estou puta de ficar sentada nesse sofá esperando suas idas e vindas. Na quinta vez, ele demora demais.

— Chega! — murmuro irritada e levanto, indo a sua procura.

Que encontro mais furado.

Logo vejo Felipe conversando animado com uma garota de vestido vermelho tão curto que se ela dar um passo a barra dele vai parar na sua cintura.

Sinto meu sangue ferver.

Namorada? Encontro? Se isso é namorar, eu declino. Eu não quero um namorado que só me dá atenção quando estamos no meio do mato em um piquenique.

Felipe percebe o meu olhar e se aproxima, mas não esperei e fui até ele.

— Se divertindo? — pergunto, cruzando os braços.

— Só conversando, Aurora. Não precisa disso — ele responde, tentando segurar minha mão. Afasto ela da sua tentativa.

— Não precisa disso? — Falo alto para ultrapassar o som. — Você mal olhou pra mim desde que cheguei. E aquela garota, hein? — rebato, sentindo o ciúme tomar conta.

Felipe suspira, aproximando-se até me deixar encurralada entre ele e uma pilastra lisa e fria do salão.

— Tentei chegar até você, mas fui parado por várias garotas pelo caminho, querendo um pedaço de qualquer Seven. Só fui educado e dispensei.

— Se pretende mesmo ser meu namorado, não fale com nenhuma garota. Nem sequer seja educado. Eu vi seu sorrisinho para aquela loira pelada.

— Você realmente acha que eu quero outra pessoa? — ele pergunta, voz baixa e intensa perto do meu ouvido. Me arrepio toda.

Tento responder, mas Felipe não espera. Ele segura o meu rosto e me beija. Dessa vez com urgência, como se quisesse apagar qualquer dúvida dos seus planos para nós. O beijo é quente, intenso, me fazendo esquecer a raiva e o ciúme.

Quando nos separamos, Felipe sorri de lado.

— Só você me deixa completamente , garota da bunda bonita.

Ainda sem fôlego, decido tomar a iniciativa. E dessa vez fui eu quem puxou Felipe para mais um beijo, deixando claro que, apesar dos ciúmes, era dele que eu gostava, e estava disposta a mostrar para todos.

— Quer sair daqui? Um lugar mais calmo, talvez.

É minha vez de dar um sorriso de lado. Seguro sua mão e digo:

— Não. Eu vou curtir essa festa do jeito certo. Alguma coisa contra?

— De jeito nenhum. Mostre suas garras, minha bela.

É justamente o que faço. Ando pelo salão de mãos dadas com ele, recebendo todo tipo de olhar de ódio, o que só me faz pirraçar mais e abraçar, algumas vezes até beijar.

Eu sou uma pessoa muito boa, mas tenho um grande defeito: sou a garota mais ciumenta do mundo. E é bom que Felipe saiba logo onde está se metendo.

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