Capítulo 8

Aurora

Ele parou o carro do outro lado da rua e desceu, escorando na porta para me esperar. Aposto que fez de propósito, só para me dar a visão do seu corpo gostoso em um jeans claro e uma camisa branca, além dos óculos escuros que lhe dão todo charme, chamando a atenção para os cabelos bem penteados que minha mão coça para bagunçar.

— Oi! — diz com um sorriso ladino quando me aproximo.

Esse cara é lindo demais. Seu sorriso cafajeste deixa minhas pernas bambas.

— Oi! — respondo com um sorriso meio tímido.

Ele abre a porta como um cavalheiro. Passo por ela e ele me ajuda com o cinto e dá a volta, sentando ao meu lado. Quem dirige é um motorista que está mais para segurança, pela quantidade de músculos. Aposto que está armado. Por tudo que aconteceu naquele sequestro maluco, tenho uma certa ideia de como essas pessoas são perigosas e poderosas. Ainda tenho pesadelos sobre aquilo. Nem seria humana se não tivesse.

— Está calada. Pensando em que?

— No meu sequestro.

Ele solta o ar com força, como se incomodasse pensar naquilo.

— Desculpa, falei sem pensar.

— Não, minha bela. Eu que te devo um pedido de desculpas. Foi minha culpa você viver aquilo.

Olho para ele. Seu rosto mostra sinceridade.

— Nada de assunto que possa estragar nosso encontro, ok? — sorrio. Eu realmente não quero pensar naquilo agora.

— Ok.

Quando chegamos ao parque, Felipe estende a toalha xadrez sob a sombra de uma árvore, ajeitando a cesta de vime entre nós. Ver seu cuidado me faz sorrir. É como um piquenique que só vejo em ficção. O parque escolhido por Felipe é um refúgio escondido na cidade, longe do barulho dos carros e da correria das pessoas. O cheiro de terra úmida mistura-se ao perfume suave das flores silvestres que crescem ao redor, criando um ambiente acolhedor e tranquilo.

A árvore que nos fornece sombra é um ipê amarelo, cujas flores caem lentamente, colorindo o chão. É lindo. Uma verdadeira obra de arte.

Ao redor, há arbustos floridos e um pequeno lago, onde patos nadam preguiçosos. Juro que parece cena de um filme de romance.

O som dos pássaros é constante, embalando o silêncio confortável que se faz presente enquanto ele ajeita nosso espaço.

Com a toalha em seu devido lugar, nos sentamos um ao lado do outo. Respiro fundo, sentindo o frescor da brisa e observando o céu azul refletido na água.

— Uau! — exclamo quando ele abre a cesta.

Está cheia de sanduíches, frutas, sucos e bolo.

— Oh! — deixo escapar quando ele tira um livro e um marcador bem embalados da cesta. É um livro de mitologia e o marcador tem o desenho de um corvo, lembrando o Diablo. Ele lembrou sobre meu bichinho de estimação que comentei em nossas poucas conversas.

Felipe sorri.

— Comer ou ler primeiro?

— Comer. Estou de estômago vazio desde ontem esperando esse momento.

Ele ri e me oferece um sanduiche, depois pega um para si. Comemos devagar em um clima de paz e intimidade, como se o mundo tivesse parado só para nós. O que é estranho por nos conhecermos há tão pouco tempo. Mas me sinto assim com esse garoto. Ele me faz sentir em casa.

— Você faz tudo parecer fácil e certo. Chega a ser meio assustador, sabia? — comento depois de vários minutos em silêncio, mordendo um pedaço de bolo.

Ele se vira e olha nos meus olhos quando diz:

— Só quando estou com você. Apesar de que me sinto burro algumas vezes.

Isso me surpreende.

— Por que?

— Há momentos que estamos juntos que me perco em você, acabo perdendo a capacidade de pensar com clareza e dizendo coisas erradas como elogiar sua bunda ao te conhecer.

Eu queria rir do seu último comentário, mas não conseguia nem respirar direito. Se isso não é uma declaração de amor, não sei o que seria.

— O que devo fazer, Aurora? — O encaro sem entender a pergunta. — O que devo fazer para que seja minha e de mais ninguém?

Sorrio. Esse garoto sabe o que falar para me deixar molinha.

— Quer que eu te ame e namore você? Me dê presentes, me chame para sair em lugares bonitos, seja criativo e insistente. Uma menina na minha idade precisa viver o sonho de um romance. Se você for o meu príncipe, eu serei sua princesa.

— Serei seu príncipe, minha princesa.

Fecho os olhos ao sentir um beijo suave em minha testa. Mas confesso que esperava mais. Esse seria o cenário perfeito para nosso primeiro beijo.

Foi então que segurei seu rosto, encarei seus olhos intensos e o beijei.

Por todos os deuses! Beijar Felipe deveria ser um pecado capital.

Todo meu corpo despertou quando ele aprofundou e me puxou sobre si, deitando na toalha. Demorou muito para minha mente convencer meu corpo de que o cenário era ideal para um primeiro beijo, mas o momento não era para um primeira entrega completa.

Na verdade, partiu dele, que foi suavizando os beijos até ficamos apenas trocando selinhos.

— Você é a perfeição, sabia? Devia ser proibido existir alguém como você — ele fala levemente rouco, e eu o abraço forte.

Depois disso minha barriga ronca e partimos para o lanche, mas bem mais conectados, se tocando mais, se beijando mais. O silêncio entre nós também era confortável, interrompido apenas pelo som da natureza ao nosso redor.

Após comermos, Felipe pegou o marcador de livros com o desenho de um corvo e o livro. Começou a ler. E descobrir que sua voz lendo para mim era tão incrível quanto tudo que venho descobrindo dele.

Passamos horas ali. Quando chegou o momento de nos separarmos, já na frente da minha casa, ele se aproximou, devagar, como se pedisse permissão. Eu senti meu coração acelerar. Sabia o que viria e como seria bom. Quando Felipe tocou de leve o rosto meu rosto, fechei os olhos, sentindo o toque suave dos lábios dele nos meus. O beijo foi delicado dessa vez, mas cheio de promessas que isso que estava começando estava longe de ser delicado, seria intenso, muito intenso.

Quando nos separamos, sorri, encostando a cabeça no ombro dele.

Acho que esse foi o melhor piquenique da minha vida.

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