Rafael
O escritório estava silencioso demais para uma manhã de segunda-feira. Eduardo havia saído cedo para uma audiência menor, e Fred resolvera algum problema técnico em outro andar. Eu estava sozinho, encarando a tela do computador sem realmente enxergar nada. As linhas de código à minha frente pareciam hieróglifos sem sentido. Era estranho como, depois do veredito contra Lívia, o corpo ainda não tinha entendido que a guerra havia acabado. A mente seguia alerta, em um estado de hipervigilância, como se o sistema esperasse um ataque de negação de serviço a qualquer segundo. Talvez fosse só o cansaço acumulado de meses de tensão. Talvez fosse o medo de confiar em qualquer sensação de paz.
O celular sobre a mesa vibrou, quebrando o silêncio. O nome na tela fez meu peito relaxar instantaneamente.
— Isa? — atendi, deixando um sorriso de lado escapar.
Mas não era a voz dela.
— Papai… — O sussurro de Sofia veio carregado de um peso que me fez congelar.
— Filha? O que foi? — Endireit