Isadora
Eu não estava preparada.
E isso não era força de expressão, nem drama. Eu realmente não estava. Cheguei naquela sala com um roteiro inteiro ensaiado na cabeça, frases organizadas, decisões tomadas durante madrugadas silenciosas em Brasília. Eu sabia o que dizer. Sabia o que não dizer. Sabia onde colocar os sentimentos — bem guardados, longe do alcance de qualquer declaração inesperada.
Só que ninguém ensaia para o momento em que o chão some.
Rafael estava ali, de pé, com os papéis rasgados ainda espalhados pelo ar, como se tivesse acabado de explodir uma bomba emocional no meio da casa. E, diante de todos, sem negociação, sem cálculo, sem contrato algum para se esconder atrás, ele tinha dito que me amava.
Simples assim.
Meu corpo reagiu antes da minha mente. O coração disparou, os ouvidos começaram a zunir, e eu senti aquela pressão estranha no peito, como se estivesse respirando por um canudo invisível. Eu queria responder. Precisava responder. Mas as palavras… não vinh