Isadora
Brasília tinha me devolvido a mim mesma.
Não de um jeito milagroso, nem dramático — mas honesto. Os dias ali foram simples: o cheiro do café da manhã, o sol batendo no quintal da casa onde cresci, o silêncio confortável das noites sem perguntas difíceis. Depois de meses, eu não estava tentando entender ninguém além de mim.
E isso bastava.
Era como se eu estivesse precisando de férias depois de trabalhar um longo ano exaustivo.
Na manhã da volta, arrumei a mala com calma. Sem pressa, sem aquela urgência ansiosa de quem foge ou retorna esperando algo. Eu voltava porque tinha escolhido. Porque precisava concluir. Porque, finalmente, sabia exatamente onde estava pisando.
Minha mãe me observava da porta do quarto, braços cruzados, aquele olhar que misturava orgulho e preocupação.
— Você está diferente — ela disse, como quem constata algo definitivo.
Sorri, fechando o zíper.
— Estou mais… leve.
Ela se aproximou e me abraçou com força.
— Às vezes, filha, amar também é sab