Isadora
O vento da varanda me envolvia como um abraço silencioso, frio e necessário. Eu estava descalça, sentindo o gelo suave do piso de pedra sob os pés, um contraste gritante com o incêndio que rugia no meu peito. Meus cabelos estavam soltos, sendo levados de um lado para o outro pelo ar do crepúsculo, como se o meu próprio corpo pedisse movimento, pedisse fuga, pedisse para não explodir por dentro. A luz da tarde, em seus últimos suspiros, deixava tudo dourado demais, bucólico demais para alguém que caminhava perigosamente à beira de um colapso emocional.
Eu respirava fundo, repetidas vezes, tentando me convencer de que o oxigênio seria suficiente para me manter lúcida. Tentava me convencer de que eu estava bem.
Mas eu não estava. Estava despedaçada entre a mulher que queria lutar e a mulher que precisava salvar o que restava da sua sanidade.
Ouvi passos atrás de mim. Passos firmes, ritmados, que eu reconheceria em meio a uma multidão. Não precisei me virar para saber que era