Rafael
Eu sempre acreditei que consequências fossem elementos previsíveis. Planilhas de risco. Cláusulas de rescisão. Multas contratuais. Números frios que se ajustam após uma decisão impulsiva ou um cálculo de mercado mal executado. No meu mundo, tudo o que quebra pode ser consertado com um aporte de capital ou uma reestruturação estratégica.
O que eu não previ — e o que nenhum algoritmo de ponta poderia ter mapeado — foi acordar com o peso de um corpo que não era apenas massa física; era uma presença que preenchia cada lacuna do meu escritório. Pela primeira vez em anos, eu tinha tomado uma decisão sem calcular a rota de saída.
Isadora dormia de lado, encolhida no tapete sobre o qual havíamos nos rendido, como se o mundo ainda fosse um lugar hostil e ela precisasse proteger o próprio núcleo. O cabelo escuro estava espalhado de forma caótica, os lábios ainda levemente inchados pelo meu toque, a respiração num ritmo que eu nunca me dei ao trabalho de observar em outra mulher. Não h