Isadora
São Paulo nos recebeu com o cinza habitual, mas dentro de mim, o clima ainda era a tempestade de Bora Bora. Eu não era mais a babá de jeans e camiseta; hoje, eu precisava ser a mulher que silenciaria os corredores da maior startup do país.
Escolhi minha armadura com precisão cirúrgica. Um vestido midi de alfaiataria em tom verde-esmeralda, tão estruturado que parecia esculpido no meu corpo. Tinha uma fenda lateral que revelava apenas o necessário a cada passo e um decote canoa que exibia as clavículas com elegância. Calcei scarpins pretos de verniz com saltos vertiginosos e prendi meu cabelo em um rabo de cavalo alto, puxado e impecável, que destacava meus traços.
Quando saí do quarto, Rafael estava no corredor, ajustando o nó da gravata. Ele parou. O olhar dele percorreu meu corpo de cima a baixo, demorando-se nas minhas pernas e subindo até encontrar meus olhos. A tensão do beijo na ilha e da discussão que se seguiu ainda estava lá, vibrando entre nós.
— Está pronta? — e