SOFIA
Encontro Eduardo na varanda. Ele está sentado no banco de madeira, os cotovelos apoiados nos joelhos, o olhar perdido na chuva fina que escorre pelo vidro. Algo nele me assusta. Está tenso. Rígido. Silencioso demais.
— Aconteceu alguma coisa? — pergunto, aproximando-me devagar.
Ele demora a responder. Então tira do bolso interno do paletó um envelope amassado e o segura no ar por alguns segundos, como se pesasse toneladas.
— Recebi uma carta. Sobre você.
Meu corpo paralisa. O estômag