A biblioteca ainda parecia respirar o que tinha acontecido ali. O ar estava mais quente, mais denso, como se os livros e as paredes guardassem a memória do que fora quebrado. Dante permanecia próximo, o corpo ainda em alerta, o olhar escuro e atento como se tivesse acabado de atravessar algo sem volta.
Eu sentia o mesmo.
Não havia constrangimento. Havia uma quietude nova, aquela que só surge depois de uma entrega real. Um tipo de silêncio que não pede explicação, porque tudo já foi dito com o corpo.
— Isso não estava nos planos — murmurou ele, com um meio sorriso cansado e intenso ao mesmo tempo.
— Mas estava em nós — respondi.
Dante me olhou como se aquela frase tivesse acertado um lugar exato. A mão dele subiu devagar, tocando meu rosto com cuidado, quase reverência. Não era o toque de alguém que busca mais; era o toque de quem quer permanecer.
— Você percebe o que acabou de acontecer? — perguntou, baixo.
— Percebo — respondi. — Não foi só desejo.
Ele assentiu lentame