A luz da manhã entrou no quarto devagar, filtrada pelas cortinas, trazendo consigo uma quietude diferente daquela da noite. Não era o silêncio de quem dorme. Era o silêncio de quem acorda em um mundo que, de repente, não é mais o mesmo.
Eu abri os olhos sentindo o corpo ainda quente, sensível, como se cada centímetro guardasse a memória do que havia acontecido horas antes. Não precisei olhar ao redor para saber que Dante tinha estado ali. O quarto parecia carregado de uma presença que não se dissipava com o amanhecer.
Levantei-me devagar, consciente de cada movimento, como se o próprio ar estivesse atento demais. Vesti um robe e fui até a janela, abrindo um pouco as cortinas. O jardim estava banhado por uma luz suave, quase inocente, em contraste cruel com o que eu sentia por dentro. Havia uma mistura perigosa de calma e expectativa, como se algo tivesse sido despertado e agora não pudesse mais voltar a dormir.
O som de passos no corredor me fez virar de imediato.
Dante apareceu à