A casa estava quieta de um jeito que só acontecia depois que Lorenzo adormecia de verdade. Não aquele sono leve do início da noite, mas o sono profundo, seguro, que fazia os corredores parecerem maiores e os sons mais distantes. As luzes estavam baixas, os funcionários recolhidos, e o mundo, pela primeira vez naquele dia, parecia pequeno o suficiente para caber em um segredo.
Eu estava no meu quarto, sentada na beira da cama, ainda vestida, tentando fingir que o corpo não vibrava de expectativa. O encontro na biblioteca mais cedo tinha deixado marcas invisíveis, um tipo de eletricidade que não se dissipava com o tempo. Quanto mais eu tentava ignorar, mais sentia.
A batida na porta veio baixa, quase cautelosa.
Eu soube que era ele antes mesmo de levantar.
Abri.
Dante estava ali, no corredor, com a camisa já aberta no colarinho, o olhar intenso, o mesmo que ele vinha tentando controlar o dia inteiro. Não disse nada. Também não precisou. O silêncio entre nós era pesado demais para palavr