Samuel
A conversa final com a minha família não aconteceu num jantar bonito nem numa reunião oficial. Aconteceu no salão principal, no intervalo de um momento e outro.
Meu pai estava na poltrona, jornal na mão, óculos na ponta do nariz. Minha mãe arrumava flores que já estavam arrumadas. Sarah, sentada de lado no sofá, mexia no celular como se nada no mundo pudesse atingi‑la. Entrei decidido.
— Preciso avisar uma coisa. — falei.
Meu pai nem levantou os olhos.
— Mais crise? — resmungou.
— Não.