Anny
A reta final da gravidez pesa diferente no corpo e na cabeça. As noites parecem mais longas agora.
Qualquer posição que escolho na cama fica desconfortável em poucos minutos, e o bebê parece ter descoberto um jeito de empurrar exatamente onde dói mais. Dormir, antes, era fuga, hoje é quase batalha.
De dia, o cansaço é outro.
Levantar do colchão exige uma estratégia, virar de lado, apoiar o braço, respirar fundo, empurrar o corpo como se estivesse carregando mais do que uma barriga, carregando toda a história que vem junto com ela.
Às vezes, paro no meio do caminho, com a mão na lombar, só para lembrar que ainda consigo ficar de pé.
A governanta tem sido minha âncora. Ela conseguiu convencer a administração da casa a liberar um cômodo pequeno, colado ao meu quarto, para montar o espaço do bebê.
Não é o “quarto do herdeiro” oficial, mas é o que cabe nos meus braços e no meu peito.
Passamos a tarde mexendo em gavetas, sacolas, cheirando roupa limpa.
Ela dobra um macacã