Anny
Os dias no hospital têm um tipo de relógio próprio. Não é o do celular, nem o da parede. É o relógio que conta o tempo entre um exame e outro, entre o barulho do carrinho de medicação e o “a doutora já vem falar com vocês”.
Eu perdi a conta de quantas vezes acordei assustada na poltrona dura ao lado da maca, com o som do monitor apitando baixo e o cheiro de desinfetante grudado no nariz.
Samuel ia e voltava.
De manhã cedo, passava na empresa, resolvia o mínimo pra nada desabar, e voltava