A voz dela parecia sincera… mas eu não consegui acreditar.
Ema tinha sido uma atriz perfeita durante todas aquelas semanas. Boa demais. Boa o suficiente para me enganar sem piscar, para me fazer acreditar em tolices… para me fazer sentir coisas que eu não devia sentir.
Ainda assim, eu abri meu melhor sorriso — aquele que eu usava em reuniões importantes, aquele que me fazia parecer calmo, seguro, intocável — e a beijei, descaradamente, tomando seus lábios como se eu tivesse todo o direito do mundo.
E eu tinha.
Soltei-a em seguida, antes que o meu corpo falasse mais alto do que minha razão.
— Pois bem… você precisa se alimentar.
Peguei o pijama dela e joguei em seus braços.
— Por favor, coma… eu já me sinto muito culpado por ter deixado você sem jantar ontem à noite.
E aquela parte era verdade.
Por mais que eu quisesse odiá-la do fundo da alma, eu não queria vê-la fraca. Não queria que ela colocasse a própria saúde em risco… nem que fosse por descuido.
Era um turbilhão absur