Ela se separou de mim devagar, como se quisesse me dar tempo de respirar. Mas o olhar que me lançou em seguida não me deu descanso nenhum. Foi profundo, intenso, carregado de uma coragem que me desmontava.
Ema segurou uma das minhas mãos com firmeza e me puxou para fora da pista, atravessando o movimento do andar de baixo como se soubesse exatamente para onde estava indo. Eu a segui no automático, guiado por algo que não era mais lógica, nem prudência. Era desejo, puro e perigoso.
Ela me levou até um dos corredores que ficavam na lateral e conduziam ao banheiro. Ali tudo era escuro demais. A iluminação fraca mal tocava as paredes, e por alguns instantes eu senti como se o mundo tivesse ficado menor, como se só existissem aquele espaço estreito e o som abafado da música ao fundo.
Quase não havia ninguém por perto. Mesmo assim, a batida continuava alta, vibrando no concreto e entrando no peito como um chamado. Eu conseguia sentir o sangue pulsando nas minhas veias, quente, impaciente