Natan não soube identificar o instante exato em que perdeu o controle.
Passara a vida inteira reconhecendo sinais antes que se tornassem ruído. Antecipar, ajustar, conter, sempre fora assim. Mas ali, diante dela, nada obedecia à lógica habitual. Os pensamentos vinham em desordem, colidindo uns com os outros, como se alguém tivesse desmontado, peça por peça, a estrutura que sempre sustentara suas decisões.
Ana estava ali. Diante dele. O olhar firme, o corpo tenso, a respiração ainda marcada