ANA -
Eu não lembro exatamente em que momento meus pés deixaram de tocar o chão.
Talvez tenha sido quando o beijo se aprofundou e o quarto começou a desaparecer ao redor. Ou quando senti as mãos dele me guiando, firmes, decididas, como se soubessem exatamente para onde ir, mesmo que eu não soubesse mais.
Só sei que, quando percebi, estávamos caminhando em direção à cama.
E eu não pensava em nada.
O mundo havia se reduzido ao calor entre nós, à respiração dele misturada à minha, ao modo como meu corpo parecia responder antes mesmo que eu tivesse tempo de formular qualquer pensamento coerente. Era como se algo tivesse sido despertado à força, e, ainda assim, eu quisesse aquilo.
Quisesse demais.
Natan não dizia nada. Não precisava. O silêncio dele era denso, carregado, quase ensurdecedor. Havia uma tensão ali que me atravessava inteira, como se cada passo fosse um risco — e, ao mesmo tempo, uma promessa.
Quando minhas pernas tocaram a beira da cama, hesitei por um segundo.