Ana não dormiu de verdade.
O corpo repousou por intervalos curtos, mas a mente permaneceu em vigília, como se ainda estivesse no corredor, com a mão apoiada na parede fria, tentando entender em que ponto uma ajuda simples se transformara em algo que não cabia mais nas regras.
O beijo tinha sido breve. Contido. Ainda assim, parecia ocupar todos os espaços.
Ela virou de um lado para o outro até o relógio marcar um horário que já não era madrugada e ainda não era manhã. Quando finalmente pegou no sono, foi leve, atravessado por imagens desconexas: água escorrendo, uma toalha manchada, o som do chuveiro desligando.
Acordou cedo por hábito.
O primeiro impulso foi ficar no quarto até a casa despertar. O segundo foi lembrar que a casa não despertaria do jeito habitual. Não havia equipe. Não havia Kali. Não havia ruídos pequenos para criar normalidade.
Havia apenas ela e Natan. E o que eles fingiriam, a partir dali.
Ana levantou, tomou banho demorado, como se a água pudesse arru