Capítulo 24 – O que não se diz

Ana não dormiu de verdade.

O corpo repousou por intervalos curtos, mas a mente permaneceu em vigília, como se ainda estivesse no corredor, com a mão apoiada na parede fria, tentando entender em que ponto uma ajuda simples se transformara em algo que não cabia mais nas regras.

O beijo tinha sido breve. Contido. Ainda assim, parecia ocupar todos os espaços.

Ela virou de um lado para o outro até o relógio marcar um horário que já não era madrugada e ainda não era manhã. Quando finalmente pegou no sono, foi leve, atravessado por imagens desconexas: água escorrendo, uma toalha manchada, o som do chuveiro desligando.

Acordou cedo por hábito.

O primeiro impulso foi ficar no quarto até a casa despertar. O segundo foi lembrar que a casa não despertaria do jeito habitual. Não havia equipe. Não havia Kali. Não havia ruídos pequenos para criar normalidade.

Havia apenas ela e Natan. E o que eles fingiriam, a partir dali.

Ana levantou, tomou banho demorado, como se a água pudesse arru
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