(Pov: Natan)
Natan permaneceu parado na sala por tempo demais.
A casa estava silenciosa, mas não vazia. Havia algo vibrando sob a superfície, uma espécie de resíduo elétrico que não desaparecia com respiração controlada nem com disciplina mental. Ele apoiou as mãos na mesa, inclinou o tronco para frente e respirou fundo, tentando encontrar o eixo que sempre encontrava.
Não encontrou.
— Idiota — murmurou, para ninguém.
O que estava pensando?
Nada naquilo fazia sentido.
Ele não cruzava limites.
Não misturava espaços.
Não improvisava.
E, ainda assim, tinha feito exatamente isso.
O beijo ainda estava ali. Não como lembrança suave, mas como presença. Pesado demais para ignorar. Preciso demais para ser confundido com um erro.
Ela tinha coragem.
A constatação veio com irritação imediata.
Coragem de enfrentá-lo.
De responder.
De não baixar os olhos.
Mulheres não faziam isso com ele. Não daquela forma. Não sem intenção. Não sem tentar ganhar algo.
Ana não ti