Capítulo 25 – Ponto cego

(Pov: Natan)

Natan permaneceu parado na sala por tempo demais.

A casa estava silenciosa, mas não vazia. Havia algo vibrando sob a superfície, uma espécie de resíduo elétrico que não desaparecia com respiração controlada nem com disciplina mental. Ele apoiou as mãos na mesa, inclinou o tronco para frente e respirou fundo, tentando encontrar o eixo que sempre encontrava.

Não encontrou.

— Idiota — murmurou, para ninguém.

O que estava pensando?

Nada naquilo fazia sentido.

Ele não cruzava limites.

Não misturava espaços.

Não improvisava.

E, ainda assim, tinha feito exatamente isso.

O beijo ainda estava ali. Não como lembrança suave, mas como presença. Pesado demais para ignorar. Preciso demais para ser confundido com um erro.

Ela tinha coragem.

A constatação veio com irritação imediata.

Coragem de enfrentá-lo.

De responder.

De não baixar os olhos.

Mulheres não faziam isso com ele. Não daquela forma. Não sem intenção. Não sem tentar ganhar algo.

Ana não ti
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