HEITOR CASTRO
Entrei no meu escritório e mergulhei naquele silêncio perturbador. Por fora, as paredes revestidas de mogno e os livros raros isolavam o som da chuva que recomeçava a fustigar as janelas de Santos, mas por dentro, o estrondo era ensurdecedor. O copo de uísque na minha mão não era mais um prazer; era uma âncora.
Eu não conseguia expulsar a imagem da retina. Valentina. Abel. O suor brilhando na pele de ambos, a risada cúmplice que morreu assim que me viram, a mão de Abel — o homem