HEITOR CASTRO
A noite estava carregada com o cheiro da chuva que ameaçava desabar sobre a mansão. No meu escritório, o silêncio era interrompido apenas pelo som do uísque batendo nas pedras de gelo. Mas o álcool não servia mais como anestesia. Desde que entrou nessa casa, o rosto de Valentina estava gravado no avesso das minhas pálpebras. Aquela mulher era uma charada escrita em sangue e lavanda, e cada vez que eu tentava decifrá-la, sentia que estava caminhando em direção ao abismo.
Larguei o