PARTE I — HEITOR CASTRO
O interior do jipe cheirava a pólvora e sangue. O silêncio entre mim e Valentina era tão denso que o ronco do motor parecia um grito. Eu mantinha as mãos firmes no volante, mas meus dedos latejavam. Eu não conseguia parar de olhar pelo canto do olho para a mulher sentada ao meu lado.
Ela estava com a cabeça encostada no vidro, observando a estrada passar. Não havia choro, não havia tremores, não havia o colapso emocional que se espera de uma civil que acabou de sobreviv