Parte I — HEITOR CASTRO
O convite para o jantar não era uma gentileza; era uma intimação. Na mansão Castro, refeições à mesa com Paulo Arruda serviam para dois propósitos: celebrar o sangue derramado ou derramar mais um pouco.
Entrei na sala de jantar e o Patriarca já estava posicionado na cabeceira, sua bengala de ébano encostada na mesa como um cetro. Ele me olhou com aqueles olhos que pareciam ler cada pecado escondido sob minha pele.
— Sente-se, Heitor — disse Paulo, a voz arrastada e fri