Parte I — HEITOR CASTRO
O salão de reuniões subterrâneo, à prova de escutas e olhares curiosos, pulsava com a tensão que precede uma grande operação. O ar era denso com o cheiro de charuto e a arrogância de homens que se consideravam acima da lei. Ao redor da mesa de mogno, Paulo Arruda presidia, sua bengala batendo um ritmo impaciente no piso de mármore. Eu estava à sua direita, um observador silencioso, meu olhar calculando cada movimento, cada sussurro.
Minha mente, no entanto, estava com