Mundo de ficçãoIniciar sessãoClara Monteiro, 23 anos, aceita um emprego como babá acreditando ser apenas uma oportunidade temporária para mudar de vida. O que ela não esperava era ser contratada por Alexander Whitmore, um bilionário poderoso, reservado e emocionalmente inacessível, treze anos mais velho que ela, dono de uma mansão tão imponente quanto o silêncio que a habita. Alexander é viúvo e vive exclusivamente para proteger o filho, Theo, um bebê de um ano que se tornouou o centro de seu mundo. Desde a chegada de Clara, algo nele começa a sair do controle. Não é apenas a forma carinhosa como ela cuida de Theo, mas a presença suave e constante que invade sua rotina cuidadosamente blindada. Sob o mesmo teto, olhares se prolongam, silêncios falam alto demais e a tensão cresce a cada dia. Clara sente-se atraída por um homem que impõe limites rígidos, enquanto Alexander luta contra um desejo que jamais planejou sentir — muito menos por alguém que trabalha para ele. Entre regras, sentimentos proibidos e uma paixão que nasce no lugar errado, ambos precisarão decidir se vale a pena arriscar tudo por aquilo que não estava no contrato: o amor.
Ler maisNão era o tipo de frase que eu sonhava dizer quando cheguei aos Estados Unidos.
Mas era a verdade.Um café pequeno. Elegante. Caro demais para mim.
Mesas de madeira clara. Plantas penduradas. Um cheiro constante de café moído e croissants quentes que nunca me pertenciam. Eu apenas servia.Usava um avental bege, sempre manchado de leite vaporizado.
O cabelo preso de qualquer jeito. As unhas curtas. O sorriso treinado.— Good morning.
Eu repetia isso dezenas de vezes por dia.
Às vezes acreditava. Às vezes não. Já estava cansada de tudo aquilo.Naquele dia, lembro com clareza demais.
Como se meu corpo soubesse que algo ia quebrar.Era fim de manhã. O sol entrava pelas janelas altas.
O sino da porta tocou.E tudo ficou… diferente.
Não sei explicar.
Só sei que levantei os olhos no mesmo instante.Ele entrou primeiro.
Alto. Muito alto.
Terno escuro. Impecável. O tipo de homem que não precisa olhar ao redor para saber que todos já estão olhando para ele.Havia algo frio em sua postura.
Não arrogância exagerada. Era pior. Era controle.O tipo de controle que não se aprende.
Ou se nasce com ele… Ou se perde tudo tentando fingir.Meu estômago apertou.
Atrás dele vinha uma mulher linda.
Loira. Elegante. Carregava um bebê no colo.Um bebê.
Meu coração deu um salto estranho.
Porque havia algo delicado demais naquela cena para combinar com ele.Eles pareciam… irreais.
Como se tivessem sido recortados de outra vida e colocados ali só para me lembrar que eu não pertencia àquele mundo.Ele não sorriu.
Não olhou ao redor. Apenas caminhou até uma mesa próxima à janela e puxou a cadeira para a mulher sentar.O gesto foi automático. Educado.
Mas distante.Ela agradeceu com um sorriso suave.
Ele assentiu, seco.O bebê balbuciou algo.
Som macio. Inocente.E então…
ele olhou para o bebê.Só por um segundo.
Mas foi o suficiente para eu perceber:
aquele homem duro, fechado e tão lindo carregava algo quebrado dentro do peito. E só vivia por causa da quele bebê. Sobrevivia, na verdade.Eu deveria ter desviado o olhar.
Mas não consegui.Ele era incrível.
Não bonito de revista. Não. Não era falso.
Era lindo de um jeito perigoso. Que não convida. Afasta. Porque dá medo de se apaixonar por ele.Maxilar marcado.
Barba por fazer. Olhos escuros que pareciam sempre avaliar riscos.Meu coração acelerou.
E imediatamente senti vergonha disso.Porque homens como ele não olham para mulheres como eu.
Olham para garotas perfeitas como a sua, carregando o bebê deles.E, de fato…
ele não olhou para mim.Quando me aproximei da mesa, com o bloco de anotações na mão, minha voz saiu baixa demais.
— Bom dia. O que posso servir?
Ele ergueu os olhos por um segundo.
Um segundo só.
Foi como ser atravessada por algo gelado.
Não raiva. Não desprezo.Indiferença. Muito pior do que ser destratada pelos clientes, como estava habituada.
Ele... simplesmente não me viu.
Não de verdade.Olhou através de mim, como se eu fosse parte do cenário.
Uma mosca. Um objeto funcional.— Dois americanos. Um chá — disse ele, sem sequer esperar confirmação.
A mulher sorriu para mim.
Um sorriso gentil. Quase triste.— E um pouco de água morna, por favor. Para o leite do bebê.
Assenti.
Sorri. Fui embora, rígida como um robô.Mas algo dentro de mim ficou naquela mesa.
Atrás do balcão, minhas mãos tremiam.
Não de nervoso. De consciência.Consciência do abismo entre a realidade deles a minha. Algo em que evitava pensar, ams bateu forte daquela vez.
Eu os observava de longe.
Ela ajeitando o bebê com cuidado. Ele olhando o relógio. Sempre distante.Não havia carinho explícito.
Mas havia respeito. E uma espécie de silêncio pesado.Eles não discutiram.
Não riram. Pareciam unidos por algo sério demais para ser leve.Quando pagaram a conta, foi ele quem se levantou.
Deixou o cartão sobre a mesa sem me olhar. Levantou o bebê para que a mulher colocasse a bolsa no ombro.Um gesto calculado.
Prático.Antes de sair, o bebê olhou para mim. Os olhos claros.
Curiosos.Sorriu.
Quando a porta fechou atrás deles, senti um vazio absurdo.
Não porque eu o quisesse.
Mas porque, por alguns minutos, enxerguei exatamente tudo o que eu não era.Voltei para casa naquele dia em silêncio.
Meu quarto alugado parecia menor.
O espelho, mais cruel.Eu tinha 23 anos.
Uma brasileira tentando sobreviver em um país que não perdoa fragilidade.E naquele dia…
eu me senti invisível. Estava fazendo tudo errado. Não estava ali para me sentir transparente daquela forma, dia após dia.Não chorei.
Mas algo endureceu dentro de mim. Precisava mudar a minha realidade. Ser vista.Naquela noite, sentei na cama com o notebook no colo.
Abri sites. Pesquisei cursos.Childcare.
Babysitting certification.Au pair.Eu sempre gostei de crianças.
Talvez cuidar fosse meu caminho. Talvez eu pudesse ser mais do que uma garçonete esquecível.Mas não foi fácil como pensei. Semanas se passaram.
Estudei.
Me certifiquei. Fiz entrevistas.Quando a agência me ligou, estava nervosa.
— Clara? Temos uma vaga perfeita para você.
Anotei o endereço.
O salário.Engoli em seco quando ouvi a palavra live-in.
— Morar no local?
— Sim. Uma família reservada. Extremamente criteriosa.
Meu coração acelerou.
Mas aceitei. Não serviria mais cafés para ricos que me ignoravam. Viveria na casa de alguém assim e aprenderia com eles a me fazer notar.No dia da entrevista final, o carro da agência me deixou diante de uma mansão.
Portões altos.
Jardins impecáveis. Tudo silencioso demais.A porta se abriu e a governanta me levou até um escritório com as portas de correr abertas.
E eu congelei.
Ele estava ali.
O mesmo homem.
O café. O olhar que não me viu.Meu estômago despencou.
Ele me reconheceu?
Não. Claro que não.— Clara Monteiro? — perguntou, lendo algo no tablet.
Assenti.
— Sou Alexander Whitmore. Entre.
A casa era gigantesca.
Luxuosa. Fria.No sofá da sala, alguns metros adiante, estava a mesma mulher do café.
Mas algo estava diferente.
Ela sorriu para mim.
De verdade.— Você deve ser a Clara. Eu sou a Eleanor. Irmã do Alexander.
Irmã.
Minha cabeça girou.
— A mãe do Theo… — ela continuou, a voz suave — faleceu dias depois do parto.
O ar me faltou.
O bebê estava no colo dela.
O mesmo bebê.Theo.
Ele me olhou de novo.
Sorriu.Alexander permaneceu em silêncio.
Foi ali que entendi.
O homem arrogante do café…
não era cruel.Era quebrado.
E eu ia morar... na casa dele.
Com ele.AlexanderO salão imperial do clube estava impecável, exatamente como Clara havia planejado. O aroma das orquídeas brancas misturava-se ao som suave do quarteto de cordas, criando uma atmosfera de elegância que raramente me chamava a atenção, mas que hoje parecia certa. O foco, como deveria ser, era Theo. Meu filho estava radiante, passando de colo em colo entre os familiares e amigos mais íntimos, enquanto Clara se mantinha a poucos passos de distância, vigiando cada movimento dele com aquele instinto protetor que me fizera notar sua alma meses atrás.Ela se portava como a cuidadora dele, mas para os meus olhos, ela era a dona do ambiente. Usava um vestido que eu havia escolhido, algo que realçava suas curvas sem perder a classe, no primeiro de uma série de dias quentes do ano, mas ela insistia em manter a postura profissional, sempre atenta ao bebê, como se fosse o seu escudo.— Alexander, que festa maravilhosa! — A Sra. Sterling, uma das matriarcas mais influentes de Manhattan, apr
AlexanderEnquanto lavava as mãos após uma cirurgia, minha mente estava em Brooklyn Heights. Clara não cedia, e eu só queria entender o motivo. O que estávamos vivendo parecia incrível para mim, e não queria me gabar, mas muitas mulheres queriam estar no lugar dela quando eu não quis nenhuma. Aquela garota apareceu com seu jeito desafiador e sem nunca recuar, então começava finalmente a se fechar e temer alguma coisa, mas justo da forma que eu não queria.Clara esconderia suas verdades de mim por quanto tempo? Como eu a faria falar?— Doutor, o familiar da paciente está à espera para saber como foi a cirurgia. — A voz da minha assistente me pegou de surpresa.Virei-me para ela e desamarrei a touca descartável. Tirei a máscara e coloquei tudo no lixo, soltando um suspiro. Nenhuma operação difícil ou familiar preocupado me deixava tão inquieto quanto o silêncio de Clara.— Obrigado, Deera.Os passos dela ecoaram pelo piso vinílico e eu a segui até parte do caminho, virando no corredor q
Clara— Sua prima Sofia ligou. Está preocupada que você nunca responde as mensagens, não liga mais.Ouvi a voz da minha mãe ao longe. Meu olhar estava em Theo, erguido no sofá, andando para o lado como um caranguejo agarrado no tecido, parando às vezes para babar um pouco e me fazer rir. Encarei a tela à menção de Sofia. Eu andava fugindo dela, mas achei que esqueceria de mim com o tempo. Não aconteceu.— Ah, você sabe, mãe, estou envolvida com a festa do Theo. Meus dias têm sido curtos. Ele está prestes a dar seus primeiros passinhos. Sabe como é, tenho que prestar muita atenção. Não quero que se machuque.— Você me dá tanto orgulho. — Ela secou as mãos no avental. — Sabia que cuidaria de nós, mas não imaginei que cuidaria também de todos ao seu redor.— Você sabe que não é bem assim — falei, lembrando-a de que eu tinha uma relação controversa com o meu chefe e era somente uma babá.— Não te desmereça, minha filha.Theo soltou a mão direita, seu corpinho fofo envolvido por um macacão
ClaraO trajeto de volta do clube foi marcado por um silêncio que não era vazio, mas preenchido pelo som da respiração pesada de Alexander e pelo leve ressonar de Theo no banco de trás, ao meu lado. Eu olhava pela janela, vendo as luzes de Manhattan passarem como um rastro de estrelas caídas sobre o asfalto, sentindo o peso do visto de permanência dentro da minha bolsa — um papel que deveria ser minha liberdade, mas que naquele momento parecia uma âncora.Quando o SUV parou no pátio da mansão, Alexander não se moveu de imediato. Ele desligou o motor, e o silêncio que se seguiu foi quase ensurdecedor. Ele se virou para mim, a luz do painel esculpindo as linhas duras de seu rosto, tornando-o uma estátua de mármore e sombras.— Theo fará um ano em pouco tempo — ele disse, a voz baixa, vibrando no espaço confinado. — Estava pensando. Quero que você organize o evento, Clara. Quero que seja no clube.Senti o ar faltar. O clube. O lugar onde as mulheres me mediam com régua de ouro e as babás





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