Quando saí do escritório, precisei parar no corredor por alguns segundos.
A casa continuava a mesma. Silenciosa, elegante, iluminada pela luz baixa do fim da tarde. Tudo no lugar. Tudo inteiro.
Eu, não.
Minha boca ainda queimava. Minha respiração continuava curta. E havia uma vergonha absurda subindo pelo meu rosto, como se qualquer pessoa pudesse olhar para mim e saber exatamente o que tinha acontecido lá dentro.
Apertei os dedos contra a lateral do corpo, tentando recuperar alguma dignidade a