Mundo de ficçãoIniciar sessãoCíntia nunca imaginou que sua vida mudaria da noite para o dia. Criada no orfanato Raio de Luz, ela passou a infância acreditando ter sido abandonada. Aos três anos, foi encontrada vagando sozinha pelas ruas, sem memória de sua família. Cresceu aprendendo a lutar por cada conquista e, aos dezoito anos, já trabalhava duro para pagar os próprios estudos, determinada a construir um futuro diferente. Tudo muda quando uma revelação inesperada vira seu mundo de cabeça para baixo: Cíntia é, na verdade, filha de Paulo Marques, um poderoso bilionário que passou anos procurando por ela. De repente, a garota que nunca teve nada se vê vivendo em uma enorme mansão, cercada de luxo, carinho e de um pai disposto a compensar todo o tempo perdido. Mas, apesar do conforto e da nova vida, uma pergunta insiste em atormentá-la: se sua família sempre a amou, por que ela foi parar nas ruas quando era apenas uma criança? Determinada a descobrir a verdade, Cíntia mergulhará em um passado cheio de segredos — e poderá descobrir que algumas respostas são muito mais perigosas do que imaginava.
Ler maisCíntia contou as moedas que ganhara de gorjeta naquele dia. Não daria nem para um pão com queijo na esquina. Ela não sabia o que fazer, seu trabalho como garçonete não estava lhe rendendo dinheiro e ela precisava pagar a faculdade.
Sua colega de quarto entrou na cozinha. As duas dividiam o apartamento com mais duas meninas. O AP só tinha dois quartos, por isso elas dormiam no mesmo quarto. Cíntia não podia reclamar. Era melhor que morar na rua. - Orçamento apertado esse mês? - perguntou Ana pegando um copo de água. Ela tinha pena de Cíntia, por mais que as duas dividissem o quarto, Ana ainda tinha uma pensão mensal dos pais, pouca, mas tinha. Fora os bicos que fazia na boate. - Sim, não sei como ganhar dinheiro rápido. - Eu tenho uma ideia. - Não! - exclamou Cíntia se levantando da cadeira que estava sentada. Ela sabia que sua amiga ganhava dinheiro de forma ilícita. Não queria fazer o que ela fazia. Já fazia dois anos que saíra do orfanato e estava indo bem. Só esse mês que as gorjetas haviam sido poucas. - Calma. O Enrico me disse que estava precisando de uma garçonete hoje na boate. Se te interessar. Ele vai pagar bem. - Não sei. - Você não fará nada. É só para servir as mesas. - Se for assim. Ainda com medo Cíntia aceitou. As duas chegaram à boate antes de abrir. Enrico passou todas as instruções para ela. Ele era o gerente. Ele até perguntou se ela gostaria de ser mais que garçonete, pois era muito bonita. Loira, alta, olhos de um tom de mel inesquecível. Mas ela negou, dizendo que preferia servir mesas. Não ia se vender, ela daria um jeito e conseguiria dinheiro de forma honesta. O pagamento era bom, por isso ficou e serviu as mesas. Ele a colocou na área VIP e até então a noite estava sendo boa. Anota, pega bebidas, serve bebidas, e o ciclo sem fim continuava noite a dentro. Por volta das 23h às pessoas já estavam altas, drogadas e bêbadas. Cíntia entrou numa sala VIP para anotar os pedidos. Dois homens conversavam exaltados e alguns seguranças estavam de pé observando. Deviam ser homens importantes. Estavam vestidos com ternos caros e o ar na sala transpirava poder. Um tinha cabelos grisalhos e o outro era mais jovem. Jovem e bonito. - Senhor Marques, você sabe que não temos objeção ao contrato, mas precisamos de garantias. - Filipe já resolvemos antes. E você continua pressionando. Eles pareciam alheios a chegada dela. Ela ficou com medo de atrapalhá-los, mas não podia se dar ao luxo de ficar parada esperando eles terminarem. - O que desejam hoje senhores? Eles a olharam ao mesmo tempo. Ficou sem jeito. O homem mais velho a olhou de forma estranha como se tivesse visto um fantasma, enquanto o mais jovem dizia o que gostaria de beber. - E o senhor? Deseja algo? - perguntou para o homem mais velho que não parava de encará-la. Ela temeu. Por que ele não para de me olhar? Pensou. Como se tivesse saído de um transe ele falou uma bebida qualquer. Ela anotou e saiu para buscar os pedidos. Mas antes entrou em outra sala VIP, onde uma dançarina semi-nua dançava para o bel-prazer dos homens ao redor. Perguntou o que eles gostariam e um deles disse que gostaria dela embaixo dele. Ela se afastou assustada e o homem se aproximou. - Me desculpe senhor, eu não faço parte do cardápio. - murmurou se afastando mais do homem, mas ficou sem saída quando suas costas bateram na parede. Os homens na sala o incitando a pegá-la de jeito. - Por favor senhor, se afaste. Ela implorou, mas ele não se importou, seu hálito em sua face. Ele alisou os cabelos loiros dela. Ela fechou os olhos com repulsa. - Calma garotinha, não farei nada que você não queira. - disse o homem e riu. Um riso feio e repugnante. Querendo fugir dali Cíntia fez a única coisa que conseguiu pensar. Segurou nos ombros do cara e deu uma joelhada no meio de suas pernas. O homem urrou segurando suas partes íntimas, caindo ao chão. Mas antes que ela conseguisse fugir, um dos amigos do homem a segurou pelos cabelos a jogando no chão. Sua testa bateu na quina da pequena mesa que a dançarina dançava anteriormente. Elas se olharam assustadas. O sangue escorreu. - Aonde pensa que vai sua vadia? Agora você vai aprender uma lição. - disse o amigo desafivelando o cinto. - Não por favor! Socorro. - gritou, mas sabia que de nada adiantava, pois o som alto da boate e as paredes acústicas não permitiriam que seus gritos fossem ouvidos.Eles comeram mais um pouco quando um segurança se aproximou sussurrando algo no ouvido do Senhor Marques.- Minha querida, precisarei me ausentar. - disse já se levantando.- Tudo bem pai. Queria te perguntar se eu posso usar um dos carros. - disse antes que ele saisse.Ela não sabia onde estava direito, nem onde teria um ponto de ônibus.Todos os domingos Cíntia tinha um compromisso inadiável. Não podia faltar. Então precisaria de ajuda para sair daquela mansão.- Claro! Tem um carro preparado a sua disposição. Seu motorista é o Mauro, sempre que precisar pode falar com ele.Eu tenho um carro e um motorista só meus? Ela sorriu sem acreditar. Ela ainda acreditava que estava em um sonho, se beslicou. Não era um sonho.- Obrigada!Ela comeu mais um pouco, pegou sua bolsa e foi atrás do Mauro. Pela primeira vez ela percebeu a quantidade enorme de seguranças que haviam na mansão. Por que ele precisa de tantos seguranças? Se perguntou. Mas logo se acalmou, pois sabia que com a quantidade
Cíntia acordou cedo e levou um susto quando pegou seu celular. Ana havia mandado várias mensagens perguntando se o que saira na mídia era verdade. Haviam vários links nas mensagens. Ela clicou no primeiro."Herdeira encontrada!" E uma foto dela quando chegara ao baile. Os outros links eram mais do mesmo. "A filha perdida do Bilionário reaparece.""Encontrada a Herdeira Marques depois de 17 anos." Várias fotos dela e de seu pai. Fotos de seu desaparecimento quando tinha apenas 3 anos. Os sites relembrando o caso que parou o país. Fotos sobre o acidente e de sua mãe. A Internet estava pipocando com a notícia bombástica da semana, poderia até ser a notícia do ano.Fechou os olhos tentando absorver tudo. Ela pensou que talvez tivesse a chance de esconder por mais tempo que era filha do Bilionário Paulo Marques, até que conseguisse se ajustar a sua nova realidade. Mas teria que nadar junto com a maré.Cíntia encontrou seu pai na enorme mesa da sala de estar. O café da manhã era algo de out
- Vou tentar. - disse ela pegando a mão que ele lhe estendera. Ela tentaria confiar nele pelo menos em uma dança. Filipe a segurou pela cintura a guiando pelo salão. Ele era um ótimo dançarino. A guiava com facilidade, mesmo ela pisando algumas vezes em seu pé. Eles não tiveram oportunidade de dançar muito. Ela até que estava se saindo bem seguindo os passos dele. Estava gostando da valsa, até olhou para ele com um sorriso sincero, o que o fez retribuir. Ela poderia passar horas ali, mas foram interrompidos por um pai que não estava gostando nada daquela interação. Senhor Marques a tirou dos braços de Filipe de uma forma educada. Pelo menos ele não fez um escândalo. Pensou Cíntia preocupada.- Minha vez de dançar com a minha filha. Filipe abriu a boca para dizer algo, mas desistiu sorrindo logo em seguida.- Claro sogrinho. - a provocação fez o rosto do Senhor Marques endurecer, principalmente quando ele deu duas batidinhas no ombro do dele. Ele tinha feito de propósito. Cíntia in
Todos queriam saber quem era a nova beldade que entrou no salão ao lado de Paulo Marques, o bilionário. Alta, loira, com um vestido valendo mais do que ela ganharia em toda sua vida. A curiosidade caiu sobre todos os presentes. Senhor Marques não havia soltado nenhuma nota para a empresa. Aquela jovem era uma desconhecida. Ele apresentou Cíntia a muitas pessoas e quando descobriram que ela a filha perdida, se alegraram, pois acompanharam a luta do Senhor Marques para reaver sua filha perdida. Cíntia tentou ser o mais educada possível. Falar com todos, fingir que entendia algo do que estavam falando, mas a verdade era que ela não pertencia aquele mundo e quanto mais as horas passavam ela percebia isso. Não fora criada para aquilo, tudo era novo. E esperava de coração que não estivesse envergonhando o seu pai. O evento beneficiente era para arrecadar fundos para crianças com câncer, um evento nobre. E ficou feliz quando seu pai depositou na urna um cheque generoso. Uma senhor





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