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Capítulo 4 – O que a rainha do pop viu em mim?

Aliana Ramirez Aliança.

No bar tinha pouca gente e enquanto o Rui conversava com os amigos eu e o Raul ficamos nos encarando até que eu fiz sinal com o dedo, apontado para um corredor que tinha uma escada, ele pediu licença e foi e eu fui logo depois.

– Oi – falei sem jeito, não conseguindo mais olhar para ele.

– Você é a famosa Aly, eu sou seu fã desde aquela mini série na Disney.

– Sério!

– Sim, é um prazer te conhecer All.

– Como! – exclamei surpresa por ele me chamar assim.

– Não gostaste de como eu te chamei?

– Não! Eu só fiquei assim porque só uma pessoa me chama de All – falei olhando para o chão.

– Agora duas, você quer sem lá dar uma volta?

– Acho melhor ficarmos só por aqui mesmo, mas eu tenho uma ideia do que podemos fazer para descontrair.

– Qual?

– Dançar – falei sorrindo.

– Então vamos.

Nós fomos dançar, eu propôs mas eu não sou uma ótima dançarina, mas ele é um ótimo dançarino. A noite para nós os dois passou assim, entre risadas, passos errados e passos ridículos. Como o Rui estava bêbado eu o dirige até em casa, a mamãe não estava na porta o que era um bom sinal porque se visse o Rui assim ele ía ouvir hoje e amanhã sedo.

Eu o levei no quarto cambaleando, o bom dele é quando bebe não fala, só olha para tudo como se fosse novo o que é ilário, o deixei na cama, tirei os sapatos dele e fui para o meu quarto dormir, a Érika que estava no quarto da Manon veio parar no meu! Eu me deitei e dormi logo.

No dia seguinte eu acordei cedo e fiz o café da manhã.

– Bom dia Ally – o Rui falou adentrando na sala de jantar enquando eu arrumava a mesa para fazermos a refeição. Ele estava com olheiras profundas.

– Você está bem?

– O que achas?

– Que você não está bem e se eu fosse você não veria a Meg hoje.

– Eu estou tão horrível assim.

– Sendo sincera sim e falsa nem tanto.

– Oi pessoal – a Manon saudou adentrando na sala e sentando na sua cadeira.

– A mamãe acordou mais cedo e teve que ir então quem vai te levar para escola hoje é o Rui.

– Eu não posso.

– Por que?

– Porque eu preciso passar em um lugar antes e já estou atrasado – ele respondeu e logo em seguida bebeu um pouco do leite e foi embora.

– Quem vai me levar?

– Eu posso levar a Manon – a Érika falou adentrando na sala de jantar.

– Eu queria muito levar você.

– Não faz mal, eu sei que senão fosse isso você me levaria.

– Então eu vou só comer e vamos.

A Manon foi com a Érika e eu fiquei sozinha em casa, eu fui olhar a caixa com as fotos. Tinha fotos do meu primeiro papel na Disney, em Hollywood e tinha a foto que arranca lágrimas de mim. Ouvi batidas na porta então coloquei uma máscara descartável e fui abrir, era o Raul.

– Oi – ele saudou sorrindo de leve.

– Oi – falei sem graça.

– Eu vou ficar um tempo na cidade, que tal nós darmos uma volta um dia desses?

– Vem hoje mas tarde se tiveres um lugar em mente.

– Tenho todos – ele falou fixando mais o seu olhar em mim e eu no dele.

– Eu já vou entrar.

– Perfeito.

Eu fechei a porta e senti que pela segunda vez eu tinha encontrado o amor. Depois de alguns minutos bateram na porta de novo e achei que fosse ele então abri rápido mas era a Érika.

– Você nem disfarçou que não querias me ver.

– Não é isso, é que eu conheci uma pessoa nova e eu acho que é o amor da minha vida.

– Quando você conheceu? – ela indagou animada.

– Ontem – respondi animada.

– Isso é sério? – ela indagou áspera.

– Tem algum problema?

– Tem todos, esse pessoa é quem?

– Primo do amigo do Rui.

– Vamos ver duas coisas, a primeira é que você o conheceu ontem, então descarta a ideia de ser o amor da sua vida. Segunda, ele sabe que você é você?

– Sabe.

– Ele conhece a tua família! Menina e se ele dar com a boca nos dentes?

– É com a língua nos dentes.

– Eu nunca fui boa com provérbios.

– Eu sei que isso é loucura, mas não é quando como eu namorei com os outros, eu não podia ser sincera e falar sobre as minhas origens, mas com ele eu posso, eu posso falar.

– Você com ele conseguiria falar sobre a tua mãe?

– Sem lá, com o tempo.

– Ouvi as palavras de alguém que embora nunca tenha namorado, mas já sentiu-se atraída por algumas pessoas, nem sempre o amor da nossa vida é aquele que vamos olhar para ele e falar é você, mas é aquele que nos faz fazermos coisas que desenvolvam a nossa melhor versão, que nos façam chorar, rir e feliz mesmo quando parece que carregamos uma montanha. Então vai com calma.

– Eu gostei das palavras.

– Eu também até me senti uma filosofa ou escritora de romance, mas é sério vai com calma.

– Está bem.

De tarde eu voltei a vestir moleton e calça larga e máscara. Não demorou muito alguém bateu na porta e era ele, sorrimos ao mesmo tempo, mas ele não viu por causa da máscara.

Fomos assistir um filme no cinema, eu achei que ele escolheria romance mas não foi o caso, escolheu comédia e o filme foi horrível.

– Uma vez me falaram que eu tenho péssimo gosto para escolher filmes e é verdade – ele falou enquanto caminhava.

– Todo o mundo já fez péssima escolha de filme uma vez – falei caminhando ao seu lado.

– Você já fez.

– Já.

– Qual?

– A comédia de crepúsculo.

– Nossa, escolheste mesmo mal – ele falou e nós rimos.

– Você sabe muita coisa sobre mim que poucas pessoas sabem, mas eu não sei nada de você.

– Eu amo muito a minha família, eles vivem em Austin, mas o meu irmão vive aqui.

– Você vive onde?

– Boston, eu estou de férias então vim ficar um tempo com o meu irmão só que alguém, uma mulher mas especificamente chamou-me a atenção mais que o meu próprio irmão – eu sorri quando falou isso.

– O que você faz?

– Por enquanto sou bolseiro da universidade de Harvard.

– Você estuda em Harvard? – indaguei ficando parada na frente dele, o fazendo parar de andar.

– Sim, eu não devia?

– Não, não é isso, mas as pessoas que estudam lá são super inteligentes.

– Posso se dizer que sim, mas não está isento de babácas.

– Bom saber, mas o que um aluno da universidade de Harvard viu em uma texana?

– Vi tudo e nada.

– O quê?

– All, você não faz o meu tipo, nunca fez, mas você desde o dia em que eu te conheci, você sempre despertou algo diferente.

– Começaste mal, mas até que dá para relevar.

– Mas e você?

– Eu...

– O que a rainha do pop viu em mim?

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