Capítulo 5 – O cinema.

Aliana Ramirez Aliança.

O que nos chama a atenção em alguém ao ponto de nos envolvermos? Será o olhar? A conversa? Ou como nos sentimos diferentes?

A verdade é que as pessoas até podem ter mais pontos de divergências que de convergências, mas nem que seja apenas um ponto de convergência é suficiente. Não importa as diferenças serem enormes desde que tenham alguma coisa em comum já é o suficiente.

– Sendo sincera eu não sei o que vi em você, eu simplesmente te vi e... Não pensei muito – falei e ele me olhou com muito atenção enquanto falava.

– Vai parecer que somos dois loucos, mas você quer sair comigo amanhã? – ele indagou.

– Está bem, mas dessa vez eu escolho o filme.

– Está bem, eu não quero estragar a sua noite.

– Você não estragou Raul – falei e foi como se todo o mundo parasse, seus olhos, tudo nele era bonito, ele se aproximou eu tirei a máscara descartável. Ele segurou a minha bochecha esquerda com a mão esquerda, a rua estava deserta, estamos à uma rua da minha casa, as únicas luzes eram as dos pontes de energia, ele fez carinho na bochecha e estava se aproximando devagar quando eu não sei porque me afastei.

– Desculpa se eu fui rápido demais – ele falou constrangido se afastando.

– Não, o problema sou eu, não tem nada com você – falei sem conseguir encarar ele.

– Bem, vamos que eu ainda tenho que te levar – ele falou animado.

– Você não tem medo de andar sozinho aqui na rua?

– Tenho, quando eu te deixar vou correndo para casa – ele falou rindo e eu também dei uma risada breve.

– Tens um sorriso muito lindo – ele falou.

– Obrigada – ficou o clima intenso, nos olhamos e parece que o olhar e o corpo falavam tudo – nós temos que ir – falei rindo sem graça olhando para a máscara que estava na mão.

– Vamos – ele falou segurando na minha outra mão, começamos a andar ainda nos olhando e desviando quando ficávamos sem graça.

Eu acho que a Érika não sabe das coisas, o Raul é incrível, eu posso ser a Aliana com ele e não somente a Aly.

Chegamos na porta da minha casa, ficamos de frente um para o outro – estás entregue – ele falou – boa viagem de regresso – eu falei. Ele se aproximou me dando um beijo suave da testa, eu sorri e entrei, fechei a porta e dei um suspiro, não de alívio mas de quem sonha com mais em breve.

Eu fui até o quarto achando que encontraria a Érika dormindo, mas não, ela estava bem acordada andando de um lugar para o outro em círculos segurando e olhando o celular.

– Érika está tudo bem? – indaguei olhando para ela confusa.

– O Filipe postou algo nas redes sociais dele dando a entender que você só namorou com ele por interesse e por isso terminaram com um mês de namoro – ela falou, a irritação era visível no tom de voz.

– Suponho que as pessoas acreditaram? – indaguei.

– Boa parte sim, mas outras acham que ele estava falando de outra pessoa.

– Ele é um hipócrita, ele sabe bem porque terminamos e eu nem preciso namorar com ele para adquirir mais fãs.

– Jerryme ligou e alguns fãs já pararam de seguir, não um número grande, mas ele está a pensar em como reverter essa situação.

– Eu não vou falar ou fazer nada.

– O quê?

– Quem é meu fã me conhece bem e sabe que embora as pessoas com a qual namorei tenham estado no rypi eu não sou interesseira então eu vou dormir.

– Você não está falando sério né?

– Nunca falei tão sério, ele quer me difamar? Difama, se ele não abriu a boca grande dele é porque ele tem mais a perder que eu.

– Mas Aly, por que vocês terminaram?

– Eu prometi que eu não contaria para ninguém a menos que ele me desse motivos e ele ainda não deu então vou guardar para mim.

– Acho que com esse poste ele deu.

– Os fãs é que ficaram surpresos com o término, aí querem encontrar o motivo para tudo e ele já namorou com muitas famosas que durou bem menos que o nosso e ele pode estar a falar de uma dessas.

– Está bem mas eu quero saber – falou fazendo gestos de apelo com as mãos para que eu conta-se.

–  Érika não seja fofoqueira – eu falei rindo, é tão bom quando é você que sabe das coisas, as pessoas ficam a pedir por mais e não tem mais – você não perguntou sobre o meu encontro – falei.

– Talvez é porque eu não coloquei muita fé não.

– O Raul é diferente de todos os artistas com qual eu já namorei, até porque ele não é um artista.

– Como foi o encontro?

– Ele e eu fomos no cinema e o filme que ele escolheu foi horrível, mas... – fiz uma pausa dramática – depois do cinema no caminho para casa eu e ele quase nos beijamos uma ou duas vezes já não sei – falei super animada.

– Você nunca mais ficou assim tão animada, nem a turnê consigou te animar, voltar aqui te fez bem.

– Eu tinha terminado com o Filipe pouco tempo Antes de começar a turnê.

– Mesmo com o Filipe você não estava tão animada como estás com o Raul e se ele te faz feliz está bem.

– Ele faz, é a segunda vez em muito tempo que estou empolgada em ver novamente alguém.

– Que bom – ela falou e veio me abraçar.

Eu tenho a graça de estar rodeada de pessoas como a Érika que me ama, mas só existe uma pessoa que eu consigo me abrir. Nem mesmo a Érika sabe o que aconteceu com a minha mãe biológica, se você não conseguir contar e confiar em alguém não espere que o relacionamento vá durar e é isso que aconteceu com os meus relacionamentos, tinha sempre uma meia verdade ou uma mentira e a pior forma de começar um relacionamento é com mentiras.

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