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Capítulo 3 –De volta à casa.

Aliana Ramirez Aliança.

Casa, não há nada como a nossa casa e isso é algo que não tem como negar.

– Aly finalmente você chegou, eu estava com saudades, mas porque estás vestida assim? – a Manon questionou.

– Para não ser reconhecida, não seria legal ser reconhecida aqui e assim. Mas como vai o 10° ano?

– É bem chato como todos os anos, eu queria ser cantora que nem você, viajar o mundo todo cantando é meu sonho.

– E um dia você vai conseguir, mas estuda primeiro porque a mamãe não vai deixar você fazer nada sem estudar primeiro ou estudar enquanto realiza o teu sonho.

– Eu sei bem.

Chegamos em casa e estava do jeitinho de sempre, a nossa casa é uma típica casa de família classe média alta, mas acolhedora, tem 4 quartos minimamente confortáveis e tem plantas que nós cuidamos desde que nos mudamos para Dallas, incluindo os lírios que o Rui e eu cuidamos.

– Os lírios estão bem cuidados Rui.

– Eu faço o melhor. Como você está?

– Estava com saudades, muitas saudades de vocês.

– E as coisas com o teu ex-namorado?

– Mas uma péssima escolha amorosa.

– Porque você namorou com ele?

– Porque quando fizemos o filme juntos e ele se declarou pareceu legal, parecia que duraria para sempre.

– Nada dura para sempre maninha, mas não fica triste, eu estou aqui – o Rui falou me abraçando e eu corresponde.

– Eu sei e é por isso que estou aqui, porque você e toda família estão aqui – falei.

– Deixem de ficar de namorico e venham fazer o jantar – minha mãe falou quando nos viu abraçados.

– Mãe – gritamos furiosos nos afastando no mesmo instante.

Eu e o Rui fomos fazer o jantar, a Manon organizou a mesa, o Jerryme e a minha mãe conversavam e a Érika ficava de assistente da Manon.

– Família venham jantar – o Rui falou gritando.

– Para de gritar – minha mãe falou – parece uma avestruz engasgada – continuou e todos começamos a rir e ele fez cara feia.

– Bem, agora que estás aqui é um ótimo momento para falarmos da tua formatura – minha mãe falou animada.

– Eu não sei se vou – falei baixo, quase sussurrando e a expressão animada da minha mãe mudou para decepção.

– Como assim você não vai Aliana Ramirez Aliança? – ela indagou visivelmente brava.

– A formatura é em Nova Iorque e eu não quero voltar agora, sem contar que a única coisa que eu preciso é o certificado de formatura.

– Mas nós iríamos assistir – minha mãe falou decepcionada.

– Na internet? Eu não quero mais isso, não poder compartilhar com vocês os meus sucessos, termos dinheiro e morar aqui, mãe a senhora é uma excelente médica e nós continuamos nos escondendo.

– Aly não temos escolha.

– Então vamos criar, sem lá – falei olhando para a minha mãe, suplicando com o olhar.

– Esses não são os teus filmes filha, é a vida real e lamento não poder fazer nada quanto a isso.

– Mãe, a minha formatura é um evento importante e se não for para vocês estarem lá, não adianta ir – falei olhando para o meu prato, me levantei e fui embora.

Saí um pouco, comecei a andar pelo bairro, não havia mudado muito, continuava iluminado, bonito, mas logo pessoas se aproximaram gritando o meu nome e claro eu comecei a correr de volta para casa. Quase perto vi o Rui que entendeu a situação e me segurou pela cintura, tirou o gorro da sua cabeça, arrumou o meu cabelo dentro do gorro, ficamos encostados na parede e ele ficou perto. Era suposto parecer um casal na rua se pegando e funcionou, as pessoas continuaram a correr e eu já nervosa com a aproximação me afastei.

– É isso que dá querer andar como uma pessoa normal – ele falou, tirando o gorro da minha cabeça.

– Mas eu só uma pessoa normal – falei olhando para ele e ele se aproximou de mim.

– Você não é uma pessoa normal.

– E o que eu sou? – indaguei, ele se aproximou mas ainda, olhou fixamente para mim.

– Alguém que vai num bar comigo encher a cara – logo que respondeu deu um sorriso grande.

– Está bem, mas a Érika vem a gente.

– Sem problema, tem uns amigos que estão nos esperando lá, eles querem muito te conhecer e são de confiança não se preocupa.

– Acho que o problema não sou eu mas a mamãe.

– Entendi ela, você sabe que foi difícil para ela te adoptar porque achava que atrasaria a tua vida.

– Eu entendo, mas não é justo com você, com a Manon, comigo ou com ela mesma.

– Um dia vamos superar e isso é o mais importante.

– Eu vou lá chamar a Érika e me disfarçar.

– Está bem, me encontra no carro.

Eu corri para dentro de casa e a mamãe estava sentada na poltrona que fica na entrada da sala, olhando para o nada, com uma expressão abatida, eu fui em sua direção, hesitei um pouco mas fui a abraçar de lado.

– Desculpa – ela falou e uma gota de lágrima caiu.

– A culpa não é sua e desculpa eu ter dado a entender que era, mas os dias mais importantes da minha vida foram sem as pessoas mais importantes da minha vida e eu não queria que a minha formatura fosse um desses – eu falei dando um beijo na sua bochecha.

– Vamos dar um jeito.

Eu fui para o quarto chamar a Érika, mas ela estava dormindo abraçada com a Manon, não quis acordar então fui para fora, o carro do Rui já estava estacionado na porta, sentei à frente ao seu lado, coloquei o sinto.

– A Érika? – ele indagou olhando para a porta da nossa casa.

– Ela dormiu – respondi olhando para ele que riu no mesmo instante.

– Essas horas! 20 horas! Ela dormiu,! – ele exclamava  rindo cada vez mais.

– Ei, para de rir da minha amiga e vamos.

– Com todo o prazer rainha do pop.

Quando chegamos ele me deu o gorro dele, tirei uns óculos escuros e entramos, tinha o Chris, que é amigo do Rui desde que viemos morar aqui no Texas então já o conhecia, o Edward e o Harry que trouxe o seu primo Raul, quando nos olhamos ambos sorrimos genuinamente, parecia que aquele era o nosso momento, eu tirei os óculos.

– Oi pessoal, prazer em conhecer uns e rever outro – falei olhando para todos e fixando meu olhar no Raul, todos riram exceto o meu irmão que não estava com uma expressão boa. Mas não reparei por preferência minha, o Raul era alto, moreno, tinha a mesma altura do meu irmão, olhos cor de mel, muito bonito. O Rui tossiu de repente e nós paramos de nos encarar.

– Bom rapazes, vamos aproveitar porque a Aly está aqui com a gente depois de muito tempo e é a rainha do pop – o Rui falou erguendo um copo com bebida que eu nem vi quando ele pegou.

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