— Não respira tão fundo, Maia — sussurrou Nara, a voz quase sumindo no burburinho do salão. — Eles sentem o cheiro do teu medo a dez metros.Maia engoliu em seco. A garganta ardeu, seca.Diante dela, no centro do salão elevado da Alcateia do Norte, o fogo da pira principal estalava, projetando sombras longas sobre centenas de lobos alinhados em silêncio. No topo dos degraus de pedra, Aren D'Ávila a aguardava.Ele parecia impossível de mover dali. A postura ereta, a capa escura pesando nos ombros largos, a mandíbula tão travada que o músculo no canto da bochecha pulsava ritmicamente. Aren era o Alfa Supremo, o homem que o Norte aprendeu a temer antes mesmo de respeitar. E, naquela noite, ele deveria torná-la sua Luna.Maia deu o primeiro passo subindo a escadaria. O vínculo apertava dentro do peito. A cada degrau, ficava mais difícil ignorar.Não era uma metáfora bonita das histórias antigas. Era um puxão físico, violento, que fazia os ossos de Maia vibrarem. Quando ela pisou no último
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