Cecília Quando entramos na cozinha imensa, o cheiro doce de cacau ainda pairava no ar. Matteo estava com os cotovelos apoiados na mesa de granito claro, olhando fixamente para a funcionária Rosa com os olhos pidões mais dramáticos que conseguia fazer. — Só mais um pedacinho, Rosa, por favor! — ele implorava, apontando para o prato onde restavam apenas algumas migalhas do bolo de chocolate. — Um pedaço bem pequenininho, do tamanho do meu dedo! — Nada de mais bolo por agora, mocinho — intervim, adentrando o recinto com os passos firmes. Matteo sobressaltou-se na cadeira, virando-se para mim com um bico imenso, pronto para abrir o berreiro e testar os meus limites, como sempre fazia quando contrariado. — Ah, Cecília! Mas o bolo da Rosa é o melhor do mundo e eu ainda estou com fome! — ele tentou retrucar, cruzando os braços e inflando as bochechas. Antes que eu precisasse usar meu tom de voz de babá imbatível, Merliah, que limpava o canto da boca com um guardanapo de papel,
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