Cecília A porta de vidro pesada da boutique se fechou atrás de nós, abafando instantaneamente o barulho dos carros da avenida. O interior da loja exalava um perfume suave, caro, daqueles que parecem flutuar apenas em lugares onde as etiquetas têm muitos zeros. Assim que nossos pés tocaram o tapete macio do saguão, uma moça baixinha, magra, de cabelos pretos e muito bem alinhados num coque, veio em nossa direção com um sorriso profissional e acolhedor. — Gustavo! Que bom ver você — ela disse, cumprimentando o advogado com um aceno familiar. — Raíssa, minha querida! — Gustavo adiantou-se, abrindo os braços com sua simpatia habitual. Ele se virou para nós, indicando a mulher com a mão. — Cecília, esta é a Raíssa. Ela é a gerente da boutique e a pessoa que vai nos mostrar absolutamente tudo o que precisamos hoje. Confie nela, o gosto dela é quase tão bom quanto o meu. Raíssa soltou uma risada discreta e, após nos cumprimentar formalmente com um aceno de cabeça, fez um gesto elegante
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