Luiz segurava o celular com força, parado sob a luz pálida e fria do corredor do hospital. Ele discava, repetidas vezes, aquele número que conhecia de cor. A voz mecânica e gélida da operadora, avisando que o telefone estava desligado, soava como a mais cruel das sentenças, martelando em seus ouvidos. Frustrado, ele encerrava a chamada apenas para tentar de novo, os dedos trêmulos pela tensão. Nas costas da mão, ainda havia o corte com sangue coagulado, lembrança do lustre de cristal que despencara dias atrás. Ele precisava se explicar. Queria dizer a Joana que, naquele instante na varanda, Alícia estava mais perto e havia estendido a mão primeiro, provocando nele uma reação puramente instintiva. Quando finalmente se deu conta da situação e tentou alcançá-la, a esposa já havia soltado os dedos e despencado no vazio.A porta do consultório se abriu, interrompendo seus pensamentos. Alícia surgiu com o rosto pálido e um pequeno curativo no braço direito, cobrindo um arranhão superficia
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