Mundo ficciónIniciar sesiónApós sofrer um aborto espontâneo, Joana Xavier finalmente se transformou no tipo de esposa que Luiz Costa sempre desejou. Ela parou de compartilhar as pequenas alegrias do dia a dia e deixou de ligar de madrugada quando ele não voltava para casa. O distanciamento chegou a tal ponto que, ao ser vítima de uma falsa acusação de atropelamento e acabar na delegacia, ela preferiu o silêncio. Quando os policiais exigiram a presença de um familiar para pagar a fiança e assinar a liberação, Joana se limitou a dizer que não tinha ninguém, aceitando passar uma semana inteira detida com uma calma assustadora. No fim da tarde do sétimo dia, o som metálico e pesado do portão da delegacia ecoou pelo pátio. Assim que ela desceu os degraus de concreto, um carro de luxo preto freou bruscamente a poucos metros de distância. A porta se abriu e Luiz desceu, vestindo um terno de alta costura que caía com perfeição em seu corpo alto e atlético. Com os ombros largos e a postura impecável de sempre, ele exalava aquela mesma aura fria, distante e inatingível.
Leer másA gravação chegou ao fim, apenas para recomeçar de forma automática logo em seguida. A voz doce preenchia o quarto vazio, repetindo a mesma promessa sem parar.[Luiz, hoje é o seu aniversário. Eu fiz um bolo e estou esperando você chegar para comermos juntos. Não importa a hora, eu vou ficar te esperando.]A mensagem tocava repetidas vezes, trazendo à tona as lembranças daqueles inúmeros aniversários que ele havia esquecido. Naquelas ocasiões, Joana ficava sozinha em casa, guardando o bolo intacto desde o fim da noite até o amanhecer. No fim das contas, restava a ela comer a cobertura derretida e a massa ressecada sem qualquer companhia.Enquanto ouvia aquelas palavras, lágrimas grossas escorriam pelos cantos dos olhos fundos de Luiz. Ele encarava o teto com a visão cada vez mais turva, perdendo o foco da realidade, mas um sorriso muito fraco surgiu em seus lábios. Parecia que uma lembrança de extrema beleza havia cruzado a sua mente naqueles instantes finais. Reunindo o último resquí
Alguns anos se passaram. Em uma ilha particular banhada pelas águas do Mediterrâneo, o cenário parecia ter saído de um cartão-postal. O sol aquecia a areia clara da praia, contrastando com o azul intenso do mar e a arquitetura branca das construções ao redor. A cerimônia de casamento de Joana acontecia ali. Era um evento íntimo e acolhedor, reservado apenas para os familiares e os amigos mais próximos.Ela usava um vestido de noiva de um branco imaculado. O corte era simples e elegante, sem caudas longas ou exageros, mas desenhava com perfeição a silhueta fina e a linha delicada dos ombros e do pescoço. O véu em um tom suave de champanhe ganhava um brilho acolhedor sob a luz do sol. Posicionada sob um arco de flores frescas e segurando um buquê de lírios-do-vale brancos, ela exibia um sorriso radiante. Os olhos dela transbordavam uma paz genuína e uma felicidade sem qualquer sombra de dúvida.Ao seu lado, o noivo, vestido com um terno claro, a observava com uma ternura profunda. O a
O outono avançava mais uma vez, trazendo o frio característico da estação. Um grande baile de gala beneficente ocupava o salão principal do hotel mais luxuoso do centro da cidade. Joana estava na lista de convidados como figura de honra e conselheira especial do evento. A Fundação Joana, criada por Luiz, era uma das patrocinadoras da noite.Antes do início da cerimônia, os corredores dos bastidores fervilhavam com o vaivém de funcionários, convidados e repórteres. Joana caminhava em direção à sala de espera, conversando em voz baixa com um dos diretores da organização sobre os detalhes do discurso que faria em breve. Ao virar uma esquina, um homem surgiu na direção oposta. Ele exibia uma figura muito magra e vestia um terno preto bem cortado, porém com sinais evidentes de desgaste. Com os cabelos alinhados de forma impecável, ele caminhava de cabeça baixa, concentrado nos papéis que segurava.O encontro no corredor estreito pegou ambos de surpresa. O homem ergueu o rosto. Os olhares
Alguns anos se passaram. O fórum mais prestigiado do mundo da tradução internacional acontecia na Suíça, reunindo a elite de intérpretes, acadêmicos e autoridades políticas de diversas partes do globo. Como a mais jovem conselheira honorária e intérprete simultânea chefe, Joana recebeu o convite para proferir o discurso de abertura.Sob as luzes do palco, ela vestia um terno branco perolado de corte impecável. Os cabelos longos estavam presos em um coque sofisticado, destacando o rosto sereno e a linha delicada do pescoço. Atrás do púlpito, diante de uma plateia lotada e dezenas de flashes de câmeras, ela discursava com uma tranquilidade inabalável. O domínio absoluto dos idiomas permitia que ela alternasse entre o francês, o inglês e o português com uma facilidade impressionante. Os seus argumentos eram afiados, repletos de perspectivas únicas e referências precisas. A confiança, a elegância e o profissionalismo a transformavam no centro inquestionável das atenções. Quando as suas
Último capítulo