Naquela manhã, minha mãe estava sentada na cama quando entrei. Sentada. Não deitada. Não enrolada nos lençóis brancos como um fantasma prestes a desaparecer. Ela estava sentada, os cabelos penteados, o rosto ainda pálido, mas os olhos — os olhos estavam vivos.— Filha! — ela estendeu os braços na minha direção. A voz ainda era fraca, mas tinha uma energia que não existia na última visita. — Você veio.Sentei ao lado dela. Segurei suas mãos. Estavam mais quentes. Menos ossudas.— Você está melhor — eu disse. Não era pergunta. Era constatação. E a constatação veio com um nó na garganta que eu não esperava.— Os médicos dizem que o novo medicamento está fazendo efeito. — Ela apertou meus dedos. O sorriso dela, o primeiro sorriso verdadeiro em meses, iluminou o quarto. — Acho que vou sair dessa, filha.Você vai. Você vai sair dessa. Mesmo que eu tenha que vender minha alma para isso.— Claro que vai, mãe. Você é forte.— Não sou forte. Você é que cuida de mim. — Ela passou a mão no meu ro
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