Ele colidiu contra mim como um trem desgovernado.
Não houve aviso. Não houve aquele movimento lento de cinema, aquele olhar profundo, aquela aproximação calculada. Foi um impacto. Um choque. Algo entre uma queda e uma invasão.
As minhas costas bateram na parede de vidro. O frio atravessou o tecido fino do vestido — ou era o calor dele queimando minha pele? Não dava para saber. O mundo tinha se resumido a dois pontos: a mão dele na minha nuca e os lábios dele nos meus.
Não era um beijo técnico.