Eu não dormi na noite anterior.Não que eu esperasse dormir. A cama era macia, os lençóis eram de seda, o quarto era silencioso. Mas minha cabeça não parava de girar. As palavras de Victor. O toque dele na minha mão. A proximidade. A tensão. O quase. O maldito quase que ficava ali, pairando entre nós como uma promessa que nenhum dos dois tinha coragem de cumprir.E o medo.Amanhã eu iria para a Sterling Corp. Ia fingir ser alguém que não era. Ia mentir, enganar, arriscar minha vida. E ele ia estar no meu ouvido, guiando cada passo, cada respiração, cada batida do meu coração.Eu devia estar com raiva. Devia estar assustada.E estava.Mas também estava... outra coisa. Uma coisa que eu não queria nomear. Uma coisa que ficava ali, no fundo do peito, latejando como uma ferida que não cicatrizava.Quando o dia finalmente amanheceu, me arrastei para fora da cama. Tomei um banho longo, a água quente tentando afastar o cansaço. Não funcionou. Olhei no espelho. Olheiras profundas. Pele pálida.
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