Eu não dormi.Não que eu esperasse dormir. Depois de tudo que aconteceu — o beijo, a distração, a briga, a frieza, a ameaça — o sono era um luxo que eu não podia pagar.Fiquei sentada na poltrona do quarto do Lucas a noite inteira. A chuva tinha parado em algum momento, mas o céu continuava cinza, pesado, como se estivesse segurando algo. Como eu.Lucas dormiu. A enfermeira veio duas vezes verificar o soro. O quarto estava silencioso, aquecido, seguro. Mas eu não conseguia relaxar. Cada vez que fechava os olhos, via Victor. O beijo. A mão dele no meu corpo. O olhar gelado quando disse que ia cobrar por sua ajuda.Era como se tivesse dois homens dentro dele. Um que me beijava com fogo, que me olhava como se eu fosse a única coisa no mundo. E outro — o verdadeiro — que me usava, me calculava, me via como uma peça."Eu vou cobrar."A frase ecoava.Eu tinha medo dele. Não do homem que me beijou. Do homem que falou aquilo.O amanhecer chegou devagar. A luz cinzenta entrou pelas janelas, e
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