MagnusLembro da noite anterior, da madrugada turbulenta, do pesadelo de Emily e do seu medo sempre que isso acontece. Meu peito queima, não de dor física, mas por me sentir impotente e inútil diante da única pessoa que eu deveria amar. Mas como fazer isso se eu não sei mais amar? E acredito que nunca soube. Desde a morte de Eleanor eu me sinto seco, vazio, como uma máquina que repete as mesmas atitudes e reações durante longos anos, e, sinceramente, não tenho expectativa alguma que isso mude. Observo tudo ao redor como de costume. O sorriso de Emily não deveria doer, mas dói, e dói principalmente porque sei que não é para mim. Quando a vejo naquela manhã, sentada à mesa com Aurora, mastigando devagar, os pés balançando sob a cadeira, percebo algo que me atravessa como uma lâmina silenciosa, a minha filha está leve, não despreocupada, isso seria impossível, mas menos pesada do que nos últimos meses.Ela ri de algo que Aurora diz. Um riso curto, tímido, quase como se ainda estivesse
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