Magnus Blackwood Eu só queria voltar a ser o refúgio que Emily precisava sem deixar a dor de Eleanor me consumir de novo, mas o sorriso dela na mesa do café e a presença constante de Aurora expunham cada falha minha com uma precisão que eu não conseguia controlar. Lembro da noite anterior. A madrugada turbulenta. O pesadelo de Emily. O medo dela sempre que isso acontece. Meu peito queima — não de dor física, mas de impotência. Diante da única pessoa que eu deveria amar, me sinto inútil. Mas como amar se eu não sei mais? Acredito que nunca soube de verdade. Desde a morte de Eleanor me sinto seco, vazio, uma máquina que repete as mesmas atitudes ano após ano. Não tenho expectativa de que isso mude. Observo tudo como de costume. O sorriso de Emily não deveria doer, mas dói. Dói principalmente porque sei que não é para mim. Quando a vejo naquela manhã, sentada à mesa com Aurora, mastigando devagar, os pés balançando sob a cadeira, algo me atravessa como uma lâmina silenciosa: minha filh
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