MagnusNo meu mundo controle é tudo, sempre foi, não porque eu goste, mas porque é o que sobra quando o resto desmorona. Aprendi isso cedo demais, do jeito errado, quando a vida me arrancou algo sem pedir licença, sem aviso e sem me dar sequer a ilusão de escolha. Quando você perde alguém assim, repentinamente, aprende rápido que sentir é perigoso. Então você antecipa o caos, mede cada passo, organiza o mundo ao redor como quem ergue muralhas, fecha portas antes que alguém pense em atravessá-las e antes que você mesmo queira. Foi assim que sobrevivi à morte de Eleanor, não vivendo, exatamente, mas funcionando. Transformei a dor em rotina, o luto em planilhas e a ausência em silêncio. Construí um homem que não vacila, que decide e que não se permite falhar, porque falhar um dia custou tudo. É assim que administro empresas, números, pessoas e que mantenho a minha filha segura, ou ao menos tento acreditar nisso.Mas naquele instante, algo saiu do lugar. Foi uma fissura mínima, quase impe
Ler mais