Cheguei à sala de Mauro às oito em ponto, no meu primeiro dia oficial como assistente pessoal. Eu tinha passado a noite tentando me convencer de que, dali para frente, as coisas seriam minimamente profissionais. Agenda, e-mail, reunião, relatório, café caro demais. Essas coisas. Mas claro que eu estava sendo ingênua. Mauro já estava lá, de pé atrás da mesa, com um frasco do Relux bem no centro, como se aquilo fosse um terceiro funcionário participando da reunião. Parei na porta. — Olha aqui, doutor Mauro… — Mauro, por favor. — Olha aqui, DOUTOR Mauro, eu não aceitei esse emprego para servir de cobaia para… — Ei. Baixa o tom — ele cortou, seco. Eu travei. Não pelo susto, mas pela audácia. O Mauro transtornado do dia anterior, aquele quase desesperado, tinha sumido. No lugar dele estava o chefe. O dono. O homem acostumado a falar e ser obedecido. — Como é? — Você está na minha sala, no meu horário, no cargo que eu te dei. Então vamos começar sem espetáculo. Por um segundo, fiqu
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