Quando entramos na sala, meu estômago virou. Minha mesa estava toda revirada. A cadeira jogada no chão, canetas espalhadas, gavetas abertas, papéis amassados, o notebook com a tela quebrada como se alguém tivesse socado aquilo com ódio. Por alguns segundos, eu nem consegui respirar direito. A sala de Mauro, que já tinha sido laboratório, escritório, ringue emocional e cenário de humilhação, agora parecia cena de invasão.Mas o pior estava na parede atrás da minha mesa. Um cartaz gigante, colado torto, com uma foto minha e de Jeremias na cafeteria. A imagem tinha sido tirada poucos minutos antes. Eu sentada de frente para ele, a mesa vazia ao redor, a cafeteria fechada como se fosse um encontro íntimo. Abaixo, em letras enormes: “VADIA GOLPISTA DA NOIR. NÃO BASTA O FILHO, AGORA O PAI.”Minha vista escureceu por um segundo. Mauro avançou antes de mim. Arrancou o cartaz da parede com tanta força que parte do papel ficou grudada. Depois rasgou tudo, respirando pesado. O rosto dele estava t
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