O cheiro de sangue, suor e adrenalina era quase uma segunda pele para Santino Lucchesi. Dentro do ringue, ele era um animal treinado — músculos tensos, olhos fixos, mandíbula cerrada. Os socos trocados ecoavam como trovões no ginásio lotado. A multidão aplaudia, urrava, vibrava a cada golpe, mas ele não ouvia nada além da própria respiração ritmada e da pulsação martelando em seus ouvidos.Ele não lutava por glória. Nem por dinheiro. Lutava para não explodir por dentro.— Acaba com ele, Lucchesi! — gritou alguém na primeira fileira.E ele acabou.O oponente caiu como um saco de areia, o rosto coberto por sangue. O juiz interrompeu. A vitória era dele. Mais uma. E, ainda assim, nada dentro dele se movia. Nenhuma alegria. Nenhum alívio. Nenhuma paz.Respirava pesado, como um touro enfurecido. A multidão explodiu em aplausos, gritos, nomes, promessas de glória. Mas ele não ouvia nada. Seu corpo estava ali, no centro do ringue, iluminado por holofotes agressivos. Mas a mente já tinha ido
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