Pela manhã, Lana acordou. Na verdade, ela não tinha dormido nada. A noite inteira permaneceu acordada na imensidão daquela cama de casal, ouvindo cada pequeno som da casa, cada passo distante no corredor, cada batida sutil na madeira da porta. Ela ouviu perfeitamente quando Rael a chamou com a voz abafada, ouviu quando ele forçou a maçaneta tentando abrir... mas daquela vez, ela decidiu que ele não merecia respostas.Não depois de tantos anos de abandono, de ela ter tentado conversar tantas vezes, de ter implorado por um minuto de atenção, enquanto ele simplesmente se trancava no escritório, focado em resolver negócios, organizando tabelas de vendas, viajando para fechar contratos de imóveis. Tudo na vida dele se resumia ao trabalho e ao crescimento da empresa. E Lana cansou. Cansou de buscar algo que já não lhe cabia mais, cansou de mendigar afeto. Então, ela preencheu o vazio de sua vida do jeito que conseguiu, encontrando nos sorrisos das crianças do orfanato o calor que não existi
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